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Mosquito sem Travões

Mosquito sem Travões

Pessoas comuns, ídolos improváveis... O Rei da Bola de Berlim!

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"O Rei da Bola está a chegar e vai-se embora!"

"São horas de acordar! Está na hora de lanchar!"

"Bola de Berlim com creme, sem creme e com chocolate!"

Quarta-feira. 11h30. Era o meu primeiro dia de praia das férias. Estava deitada na toalha a desfrutar do sol bem quente da  manhã, quando acordo de um breve sono, com o som de uma buzina e de uma voz vigorosa que apregoava estas expressões repetidamente. O som, ao início, longínquo, ía-se aproximando cada vez mais, até que, por entre chapéus de sol e banhistas, finalmente consegui descobrir a origem daquele ruído que me tinha despertado. Era ele, o "Rei da Bola de Berlim"! 

Apresentava-se de calções e T-shirt brancos, esta com a inscrição nas costas "O Rei da Bola", o mesmo logotipo que figurava nas duas arcas que carregava, segurando uma em cada mão. "O Rei da Bola está a chegar e vai-se embora!" - repetia vezes sem conta, enquanto percorria, descalço, em ritmo muito apressado, a enorme extensão da praia. Exibia os braços, as pernas e o rosto extremamente bronzeados, típico de quem trabalha longas horas sob o sol intenso. 

Aproximava-se a hora de almoço, pelo que, para mim, a Bola de Berlim teria que ficar para o lanche da tarde. 

15h /17h30. O Rei da Bola chegava e rapidamente desaparecia, novamente, entre os chapéus de sol. Eu tinha almoçado tarde, pelo que não tinha apetite para uma bola de Berlim àquela hora. Ficava a promessa para o dia seguinte. 

Fiquei o resto da semana pela mesma praia. Ficava mesmo ao lado do meu alojamento e era muito grande e bonita. E, para além de tudo, era lá que passava "O Rei da Bola"! Todos os dias regressava ele, cada vez com andar mais veloz, entoando a sua voz firme e expressiva. Fazia várias voltas por dia, transmitindo a todos nós, simples veranistas a aproveitar o sol para bronzear, a garra e a coragem de alguém que não faz da praia lazer, mas uma forma de viver.  

Mesmo nos dias em que as temperaturas atingiam os 40ºC, o Rei da Bola não desistia. Fiquei fã da sua valentia. Afinal de contas, eu nem conseguia suportar a areia a queimar nos pés, quando era obrigada a caminhar nas horas mais quentes. Não devia ser nada fácil!

Sempre que o ouvia ao longe, despertava, e, ficava a observar a sua logística. No ínicio, em tom de brincadeira, ainda pensei que ele deveria ter outros slogans para proclamar nos outros dias e, mostrar, desse modo, mais originalidade!

Mas logo percebi, que nenhuma outra expressão faria mais sentido do que aquela. "O Rei da Bola" realmente chegava e rapidamente ía embora, porque tinha muito caminho de areia quente a atravessar. 

Escolhi a bola de Berlim de chocolate. Huumm... Estava divinal! Fazia juz a toda a expectativa que eu tinha criado à volta daquelas tão apregoadas bolas de Berlim. Fiquei fã!

Fui a outras praias, contudo, em nenhuma encontrei um vendedor que me chamasse a mesma atenção. Também naquela, o concorrente vendedor de Bolacha Americana não marcava a diferença.  Mas "o Rei da Bola" sim! E, como tal, acabou por marcar também as minhas férias na praia. 

Sem dúvida, que a sua presença anima a praia e proporciona a possibilidade de saborear deliciosas bolas de Berlim sem ter que levantar da toalha. Em férias, em que tudo o que precisamos é relaxar e aproveitar, todos estes pormenores ajudam! Por breves momentos, somos mais felizes!

Sem o conhecer de verdade, fiquei sua fã. Não sei o seu nome. Só sei que é naquela praia que o podemos encontrar. 

 

 

MST

 

 

 

Foto: Autora  do Blog "Mosquito sem Travões"

 

 

 

 

 

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