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Mosquito sem Travões

Mosquito sem Travões

MST renasce!

Olá queridos seguidores!

A história que vos trago hoje é um bocadinho mais assustadora e emocionante do que as que habitualmente partilho! Não é sobre nenhum ídolo improvável, nem sobre as minhas aventuras felizes na quarentena.

Foi na sexta-feira, dia 17 de Abril, que de certa forma renasci! Imagino que não estejam a entender nada, nem estejam a gostar deste pequeno suspense que estou a criar! Então vou começar pelo início...

Depois de 15 dias esgotantes na frente da batalha na farmácia, voltei aos dias de isolamento, enquanto a outra equipa ocupa agora o seu lugar. Mas, desta vez, o cansaço tem dado lugar a uma desmotivação extrema e um sono insaciável, pelo que não tenho conseguido cumprir com as metas que tinha estabelecido para estes dias, nomeadamente: os cursos online em que me inscrevi; os livros que continuam insistentemente à espera que lhes dedique algum tempo; os 60 estudos do vol. 1 de Czerny Barrozo-Netto, que me prometi a tocar no piano; as ervas que queria arrancar do jardim e todas as tarefas de dona de casa que automaticamente passam para mim, enquanto, como comecei por dizer, estou em casa! Enfim... por outras palavras, tem sido dias um bocado inúteis!

E na sexta-feira, a minha mãe marcou uma consulta urgente no hospital e, estando eu em casa, competia-me levá-la lá, uma vez que ela não conduz. Apesar de a minha vontade e intuição serem contra eu saír de casa, não me safei dessa missão, apesar de ter ficado claro que só a levava até à porta do hospital e depois esperava no carro (dada a situação em que nos encontramos e para respeitar o meu isolamento). 

Saí de casa com aquela sensação estranha de não querer ir, mas não tinha alternativa! Acho que é importante dizer que o hospital fica a cerca de 70 Km. Estava a chover e quando já ía a mais de metade do percurso, ao entrar na auto-estrada, ao fazer uma curva que já é conhecida como perigosa (mas que eu já a fiz inúmeras vezes), perdi o controlo do carro e na tentativa de o contrariar para não bater naquelas placas de cimento que separam as duas vias no centro, ao virar o volante, o carro ficou ainda mais sem controlo e rodopiou, foi bater nos rails laterais e rodopiou de novo, até finalmente parar. Foram segundos de uma aflição que nunca tinha conhecido, uma sensação de não saber o que ia acontecer, de impotência porque não estava a conseguir controlar a situação e veio aquele pensamento assustador de  "É agora! Vamos morrer" nas milésimas de segundo antes do carro bater de frente nos rails. A frente do carro ficou praticamente desfeita, mas quando o carro parou em sentido contrário percebi que estávamos as duas bem e rapidamente dei a volta à chave - o carro ainda pegou, apesar do barulho estranho a trabalhar - e consegui estacioná-lo na berma. Depois de tudo isto acontecer, que na verdade foi uma questão de segundos, mas parece que foi muito mais, passaram carros e nem pararam, porque devem ter reparado que estávamos bem, apesar do cenário de estilhaços no chão e o pára-choques na berma da via (junto aos rails onde bati de frente). 

Apesar de tudo, consegui manter a calma possível e fazer todas as chamadas necessárias para o seguro, para a brigada de trânsito, para o hospital a dizer que a minha mãe se ia atrasar para a consulta e, finalmente, para o meu pai. Comecei por dizer para não se assustar que estava tudo bem, mas que me tinha despistado e tinha destruído a frente do carro. A minha porta abria, por isso, consegui saír para colocar o triângulo. A porta do lado da minha mãe não abria, mas ela estava bem. Só se queixava de o cinto a ter magoado no peito. 

E é nestas alturas que a vida parece ganhar um valor maior e começamos a ponderar tudo. O nosso coração enche-se de um sentimento de gratidão tão grande que não cabe nele! Tenho noção do quanto sortuda fui de não vir nenhum carro atrás e não ter acontecido o pior. 

A minha mãe ainda conseguiu ir à consulta e acabou por correr tudo bem. O carro está na oficina a arranjar. Mas eu estou aqui a contar-vos a minha história! E está tudo bem. 

Quando chegámos finalmente a casa nesse dia, o meu cão demonstrou uma enorme felicidade por me ver chegar e, apesar de ele o fazer todos os dias, senti que era tudo muito mais sentido. 

E depois de sexta, sinto que estou numa espécie de renascimento, porque sei que algo em mim morreu naquele instante, quem sabe velhos e maus hábitos. Para já só consigo sentir uma confusão interna que mistura a alegria de estar viva com a sensação de desconforto por sentir que realmente tudo pode desaparecer de um momento para o outro e cada dia pode mesmo ser o último!

Sempre dei muito valor a todas as pequenas coisas e o que mais me faz feliz é sentir a alegria da solidariedade. Nada me emociona mais do que os gestos solidários e todos os meus sonhos passam por aí. Alguém me disse estes dias que tenho uma grande missão e que o meu coração emana amor incondicional. Sinto isso desde pequenina. Não sei qual o passo a seguir, mas para já sei que estou a renascer. É assim que me sinto. 

Senti que precisava partilhar a minha história, porque não estou a conseguir curar o vazio que sinto em mim e que tenta sufocar a gratidão! 

Só tenho certeza de uma coisa: renasci! 

MST 

 

 

 

 

 

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