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Mosquito sem Travões

Mosquito sem Travões

Crónicas de um confinamento...Parte 1!

Depois do meu post anterior, resolvi seguir a sugestão de alguns leitores e escrever esta crónica com alguma inspiração (espero eu) e ânimo sobre toda esta situação "covidesca" que eu (vou usar este emoji  para me ilustrar) vivi nos últimos dias!

Dia 1 - "Estou positiva à COVID-19 e agora!????" - Instala-se o pânico em mim e em todos os que me rodeiam!  As pessoas que vivem na mesma casa que eu, que, por acaso, são os meus pais, ficam também isolados e começam a fazer chamadas para o SNS24, médico de família e para todo o lado (que se lembram) em busca de respostas e de uma solução, que parece não existir. Isolamento obrigatório para todos!

P.S. Quem estiver a passar por algo semelhante, por favor, não entre em pânico e aguarde mesmo as indicações das entidades de saúde. Entrar em "stress" não ajuda nem resolve nada!

Dia 2 - O pânico continua. Ainda não há respostas concretas. Aguardo a chamada das entidades de saúde, que nunca mais chega! Passo o dia ansiosa agarrada ao telemóvel com a esperança de que isso ajude! Tenho sintomas ligeiros. Passo o dia a andar de um lado para o outro no pouco espaço que agora tenho só para mim. Começo a reorganizar tudo, com toda a proteção possível (máscara e luvas). Desinfeto tudo com os frascos de álcool 70º que ainda sobram no armário desde o início da pandemia. Preparo-me para o recolhimento, que não sei quanto tempo irá durar. Inspiro, expiro e tento relaxar.   - "Vai correr tudo bem!"

Dia 3 - O pânico agrava-se. Ainda não há credenciais para os exames dos meus "senhorios". Não conseguem ter paciência suficiente para esperar. Decidem ir fazer o teste por conta deles, porque não aguentam a ansiedade de saber que podem estar também eles infetados. Ninguém apresenta sintomas.  - "Vai correr tudo bem!"

P.S. Aqui o pessoal é mesmo "stressado". 

Dia 4 - Finalmente uma boa notícia. Os resultados são bons. Estão negativos os dois.  - "Yes! Eu sabia que eles estavam bem!" - O isolamento continua, mas agora já está tudo mais relaxado. Respiro de alívio. - - "Sou um caso isolado! " - Recebo trabalho, que posso adiantar em casa, e já estou mais ocupada. 

Dia 5 - Começo a adaptar-me à minha "nova" vida. Sinto falta do meu piano que está no andar de baixo, onde agora não posso estar. Tento arranjar uma solução. Olho pela janela e os "senhorios" andam na horta. - - "É agora! " - Equipo-me com duas máscaras cirúrgicas (só para garantir que não espalho o vírus por aí) e luvas, e vou buscar uma chave para desapertar o piano digital do suporte de madeira.-  - "Yes! Consegui." O piano também pertence agora ao meu novo "habitat"! Ponho o volume no máximo e começo a tocar todas as músicas que ando a aprender! Sinto-me mais feliz agora.  - ""

Dia 6 - Mais um dia! Continuo a receber chamadas e mensagens de familiares e amigos. Ficaram preocupados com a notícia! Tento mostrar que estou apenas com sintomas ligeiros e que estou mais animada por ser um caso isolado em casa. Vou buscar os discos de vinil que estão guardados religiosamente no armário e ponho a tocar no gira-discos, enquanto trabalho no computador. -  -"Ok. Afinal não é mau de todo estar isolada!" Ninguém chama por mim nem me chateia para jantar. Tenho um horário livre e sou "independente". - - "Afinal não era isso que eu queria?! "

Dia 7 - Recebo visitas à janela. Não, não é o meu príncipe encantado, nem tenho direito a serenata! Mas é muito bom na mesma! Deixaram um saquinho à porta com bolachinhas veganas. - - "Hummm.. Adoro estes miminhos!" 

Dia 8 - Começa a segunda semana de isolamento. Os sintomas não melhoram e sinto-me sem forças. Os dias começam a ser iguais aos anteriores. Começo a não ter a certeza de qual dia da semana é hoje. Continuo isolada e começo a sentir o peso de estar sozinha. Pesquiso filmes emotivos, porque preciso de chorar! Procuro na Netflix os títulos que me parecem suficientemente apelativos ao choro e, começo a maratona:

"Amor com data marcada"

"Operação Feliz Natal"

"Rebecca"

"About time"

"Fala-me de um dia perfeito"

"Sempre que te vejo"

Não sei se me esqueci de algum, mas continuo a mesma busca. O meu ânimo continua e estou a rir-me de tudo isto que escrevi. Continuo positiva com sintomas ligeiros. Espero melhorar em breve!

Sou um mosquito sem travões, mas continuo confinada.

MST

Tenho COVID-19 e agora!?

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Queridos seguidores,

Também eu entrei para os números de casos COVID-19 em Portugal na semana passada. 

Voltei à quarentena! Neste ano 2020 é a segunda vez que estou doente, depois de uma pneumonia em Fevereiro. 

Tem sido um ano desafiante para toda a gente e eu não tenho ficado de fora!

Não tinha ganho coragem ainda para escrever sobre isso, dado o enorme preconceito que tenho sentido nos últimos dias. Para quem já passou por esta experiência sabe bem do que estou a falar. Quando somos um caso positivo, principalmente numa aldeia ou vila pequena, em que toda a gente conhece toda a gente, passamos a ter uma espécie de rótulo "COVID-19" e toda a gente à nossa volta entra em pânico. Recebemos palavras feias e inesperadas de pessoas próximas ou até mesmo daquelas que considerávamos amigas e percebemos que chegou a hora de separar o trigo do joio. 

Sei que o medo é real e temos que ter todos os cuidados e mais alguns, pois, mesmo assim, nada é garantia de nada. Este vírus é realmente muito intrigante. 

De qualquer maneira, estou apenas com sintomas ligeiros (nada que se compare à pneumonia que tive há uns meses) e estou a viver o meu isolamento com bastante ânimo e confiança de que tudo vai correr bem!

Volto a ter todo o tempo para mim (o que não é de todo mau!) e sinto-me a viver novamente um retiro espiritual, em que sou obrigada a avaliar muita coisa e a decidir o que quero guardar e o que tenho que deixar. 

Algumas pessoas demonstram carinho e preocupação comigo e até deixam à porta miminhos e palavras amigas escritas, que funcionam como aquele colinho que queremos sempre que alguém nos dê quando somos crianças.  É uma sensação boa e reconfortante!

Para quem está a viver esta situação atualmente, a minha solidariedade e carinho! Vai correr tudo bem e vamos sair disto muito mais fortes! Acho que depois disto tudo, percebo muito melhor aquela célebre expressão popular "O que não nos mata, torna-nos mais fortes!". 

E acredito que se a vida nos "brinda" com estes desafios é porque nos quer ensinar alguma lição, por isso estou a tentar aprender a minha. 

Sou um mosquito sem travões, mas agora estou isolada. 

MST