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Mosquito sem Travões

Mosquito sem Travões

MST em "quarentena"!

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Olá queridos seguidores! 

Acho que o título que escolhi para este post é deveras inspirador!

Um verdadeiro Mosquito Sem Travões não resiste à "quarentena"!

A minha verdadeira quarentena começou algum tempo antes de o COVID-19 ter chegado a Portugal. E sim, digo isto desta forma, porque lembro-me de que na minha quarentena, as notícias do momento no telejornal eram sobre a chegada ou não do famoso vírus que estava a parar o Mundo, mas que ainda não tinha escolhido o nosso querido país, conhecido como um bom anfitreão!

Foi, na segunda-feira, dia 17 de Fevereiro de 2020, o dia seguinte após termos recebido o novo padre aqui na paróquia (não sei se isto é relevante ou não, mas achei engraçada a coincidência!) , que acordei cheia de febre, sensação de desmaio e vómitos. Isto somou-se à tosse e dor de garganta que já arrastava há dias e, pela primeira vez desde que trabalho, senti-me obrigada a ligar à entidade patronal a dizer que estava mesmo mal e não conseguia ir trabalhar. Fui ao médico e, depois de analisar o raio X, disse-me com o ar brincalhão: "Parabéns! Está com pneumonia!". Ao ouvir estas palavras, tive a mesma reação que tenho sempre quando fico sem jeito, que é: não sei se hei-de rir ou chorar, então opto sempre pela primeira! 

E ri daquela maneira meio envergonhada para o médico, que tratou logo de dizer que tinha que ficar em casa e provavelmente ainda ia demorar 2 a 3 semanas a recuperação. Foi aí que pensei: "Nem pensar! Daqui a uma semana tenho que regressar ao trabalho. A patroa não vai achar piada nenhuma a estar tanto tempo de baixa por causa de uma pneumonia!" Mas a verdade é que passou uma semana e eu continuava com uma dor horrível a respirar, tosse, não me aguentava em pé e a tudo isso juntou-se uma dor insuportável na costela, que me bloqueava. Enfim! Percebi que iria mesmo ficar mais uma semana. E ao fim da segunda semana continuava com a dor na costela e senti que tinha que ficar mais outra.  Ao fim de 3 semanas de baixa, tinha visto todos os filmes das trilogias "Senhor dos Anéis" e "Hobbit". Fui à minha biblioteca resgatar aqueles livros que tinha começado a ler há tempos e não tinha acabado e, quando me sentia com mais forças, aprendi mais umas músicas no piano! Meditei, meditei muito o porquê daquele tempo que não tinha pedido, mas que sentia que estava mesmo a precisar! Os momentos antes da pneumonia tinham sido muito difíceis. A minha colega mais velha tinha-se despedido e com isso, o ambiente tinha piorado muito no trabalho. Uma semana antes, tinha passado pela segunda perda de um familiar no espaço de 4 meses. E até o antigo sacerdote da paróquia tinha ido embora e a vinda do novo pároco também me tinha ocupado algum tempo nos preparativos para o receber em festa!

E pronto, ali estava eu numa quarentena obrigatória, com todos os cuidados para não contaminar quem se aproximava de mim. Mas o COVID-19 ainda não tinha chegado a Portugal, por isso, estava tudo bem!

Regressei ao trabalho e o COVID-19 era confirmado pela primeira vez no país! Uns dias depois a epidemia passava a PANDEMIA e ao fim de uma semana desde que tinha voltado ao trabalho, fomos divididos em duas equipas e voltei a ficar em isolamento preventivo! E a minha dor na costela ainda não tinha passado. 

Os 15 dias de isolamento estão a terminar e domingo já volto ao trabalho para trocar com a outra equipa que esteve a trabalhar até agora. Não nos podemos cruzar enquanto a situação for esta, para diminuir o risco de contágio e assegurar o funcionamento da farmácia, pois, estamos também na linha da frente! Foram dias muito duros para eles e agora esses dias esperam por mim.

Mas é assim que tem que ser e durante estes 15 dias aproveitei para tocar piano (a minha paixão musical cada vez cresce mais), ler mais livros, fazer limpezas a fundo cá em casa, ver mais filmes, cozinhar e dar atenção ao meu cão, que está super feliz por me ter sempre aqui. 

Fiquei isolada este tempo todo. Não saí para nada, pois felizmente nada foi consideravelmente urgente e importante para me fazer saír. E preferi assim. Consegui recolher-me no meu silêncio e explorar a minha música e os meus livros. 

Agora vou para uma das frentes da batalha e se tudo correr bem, daqui a 15 dias volto ao silêncio e ao isolamento. E como aconteceu durante este tempo todo, vou cumprir e vou aproveitar para me dedicar a tudo o que não consigo no dia-a-dia por falta de tempo.

Despeço-me, com um pedido a todos os que não têm que saír para trabalhar: fiquem em casa por mim e por todos os meus, porque eu agora vou saír por si e por todos os seus! Só o isolamento pode parar o contágio!

E, porque até agora, eu também fiquei! 

MST

(Photo by BRUNO CERVERA on Unsplash)