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Mosquito sem Travões

Mosquito sem Travões

Pessoas comuns, ídolos improváveis... a Tia Maria!

 

tia.jpgA pessoa a quem vou dedicar este post é não só um "ídolo" para mim, mas também para muitos outros que têm oportunidade de cruzar a sua vida com a dela.

É ela, a Tia Maria! Sim, a mesma Tia Maria de quem eu falo sempre..! É a ela que devo o sabor maravilhoso daqueles pratos, que eu tento replicar, mas não consigo! Numa breve referência diria que é a minha "chefe" de cozinha preferida! 

A Tia Maria é muito mais do que uma excelente cozinheira. É a prova de que não é preciso ser mulher fértil, para poder ser mãe! 

A ela devo os meus primeiros tempos de vida, quando em bebé, tomava conta de mim, aconchegando-me em alcofas improvisadas, algures na cozinha, enquanto ela preparava as refeições. Lá andava eu, uma bebé tão pequenina (como todos gostam de sublinhar), da mesa para a banca e da banca para a mesa. As mantinhas postas ao jeito eram o meu melhor babycoque. É assim que ela conta as minhas histórias de bebé, com um sorriso malandro e orgulhoso, provocando grandes gargalhadas a todos que a ouvem.

Era eu ainda um frágil bebé e já era tão dada a aventuras!

Não tive oportunidade de conhecer a minha avó materna. Faleceu quando a minha mãe tinha ainda 11 anos. A Tia Maria era sua irmã e, desde que me lembro de existir, inconscientemente, sem ninguém saber, pús de lado o parentesco tia-avó e atribuí-lhe o estatuto de "avó". Não querendo parecer lamechas, quero dizer que desempenha muito bem esse papel, apesar de não ter conhecimento oficial dele. 

Um dia lembrei-me de me dedicar a escrever um  livro, que teria como título "As receitas da Tia Maria"... Ainda tenho aqui o rascunho gravado numa pasta com o mesmo nome no computador. Não consegui avançar com o projeto. Devem estar a perguntar: "Porquê?".  Gostaria de ter uma desculpa melhor, porque esta vai parecer inventada à pressa, mas a verdade é que quando tirava tempo e lhe ía perguntar as receitas, com um notebook e uma caneta na mão, a tia Maria usava do seu ar desconfiado e começava a explicar tudo tão rápido e vago, que o prato mais elaborado ganhava tal rapidez a confecionar, que ainda estava eu a pensar nos ingredientes e a Tia Maria já o estava a terminar. E os segredos que lhe dão aquele sabor inconfundível? Esses continuam bem guardados!!! A Tia Maria não partilha essas coisas assim de qualquer maneira.

Apesar de poder não ser relevante na opinião de muitos, é de referir que a Tia Maria não aprendeu a ler nem a escrever. No tempo dela, como de muitas outras pessoas, a escola ficava em casa e no campo. Portanto, como é de imaginar, nunca seguiu receitas de revistas ou livros de culinária, mas sim, aprendeu sozinha e com os cozinheiros com quem se cruzou ao longo da sua vida, aqui e em França.

Já nos pregou alguns sustos. Ainda há quinze dias foi parar ao hospital com diagnóstico de AVC. Recuperou bem. Passado uma semana já estava em casa, de volta das suas panelas. Ao que parece a comida do hospital não era muito temperada, pelo que não lhe agradou muito.

A boa cozinheira que é, faz dela uma hóspede muito exigente, no que toca a comida. A minha mãe chega a temer o momento em que serve o prato que preparou para o almoço de domingo em família, pois a primeira crítica positiva ou negativa é a da Tia Maria. 

Cá eu, sou sua grande fã! Um dia também quero ser assim.

Não me esqueço da lasanha de Frango e do Feijão Preto que só ela sabe fazer e que, gentilmente, preparava para mim, para eu levar quando estava a trabalhar longe. 

Já o "Rolo da Tia Maria", que não é mais do que uma torta de massa de pão de ló, recheada com creme, é presença obrigatória em todas as festas anuais e por mais que se queira copiar a receita nunca sai igual ao dela. 

Não conseguiria terminar mais este post se começasse a enumerar todas as delícias associadas à Tia Maria! Talvez mais tarde poderei partilhar as poucas que acho que sei com alguma confiança. 

E um dia, gostaria muito de terminar o livro... Quem sabe se não seria um grande sucesso?

 

MST