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Mosquito sem Travões

Mosquito sem Travões

Para lá da janela...

Para lá da janela vejo a multidão.

Sinto medo de sair.

Porque é que a vida nos obriga

Quando não queremos ir?

 

Obrigação de quem nada tem a dever

Mas mesmo assim não pode ficar

Porque o Mundo está feito assim

E não dá para ignorar.

 

A gente que nos sufoca,

espera por nós.

Custa entender as coisas normais,

quando para nós não são leais. 

 

Às vezes sinto culpa e vontade de chorar.

Vejo-me como o elo mais fraco,

sem forças para avançar.

 

Um dia quero soltar esta mágoa,

que me atrasa na viagem.

Quero deixar para trás o que não serve.

Quando irei ter essa coragem?

 

MST

Pessoas comuns, ídolos improváveis... O Sr. Zé "Sapateiro" e a Sra. Maria "Costureira"!

 Qual a melhor marca de máquina de costura? | Costura

Ele: Zé, sapateiro de profissão. Ela: Maria, costureira. 

Recordo-me desde os meus poucos anos de idade deste simpático casal, que morava e trabalhava ao lado de casa dos meus pais. 

Falar do Sr. Zé e da Sra. Maria faz todo o sentido para mim, pois estiveram sempre muito próximos e presentes na minha vida, principalmente na minha infância e adolescência. 

Falar deles obriga-me a recuar ao passado, trazendo à memória as recordações de uma infância cheia de nada e de tudo, sem playstations nem bonecas caras, mas cheia de histórias e exemplos inspiradores. Passava as minhas tardes de férias entre a costura e a sapateira, ora observando o costurar de lindíssimos vestidos que me enchiam os olhos, ora ouvindo as histórias e as músicas do Sr. Zé Sapateiro.

Na altura queria ser modista. Inspirada nos tecidos acumulados atrás da cortina que separava o provador da costura e que, mais tarde, iam dar forma a belas roupas feitas à medida, comecei a desenhar os meus próprios modelos e a costurá-los com os restos que sobravam dos cortes das roupas, que a Sra. Maria me cedia, para as minhas bonecas imitação de Barbie, mas que não eram Barbie.

Costurei vestidos compridos de festa, com cortes inovadores, vestidos de noiva... tudo o que a minha criatividade e os pequenos restos de tecidos me permitiam! Vestia-as para as diferentes ocasiões que eu imaginava, a que eu chamaria de eventos sociais de bonecas. 

A Sra. Maria admirava o meu jeito e costumava dizer que eu ía ser modista, pelo que achei a ideia engraçada e cheguei a adoptá-la por algum tempo. Quando o meu padrinho casou, quis eu desenhar a minha própria roupa para a ocasião, e fui apresentar o meu modelo à Sra. Maria, que percebeu a ideia e lhe deu forma! Era fantástico como a partir de uns metros de tecido simples, surgiam indumentárias espetaculares personalizadas! Observar aquelas criações era deveras inspirador e sonhador!

Sempre apreciei os vestidos das atrizes de cinema e chegava a acordar cedo só para ver as toiletes dos casamentos reais que passavam na televisão, pelo que ter uma costureira mesmo ao lado era muito interessante.

O Sr. Zé foi obrigado a deixar a sua profissão mais cedo que a Sra. Maria, porque a vista lhe começava a falhar, pelo que a maioria das minhas recordações dele, não são como sapateiro, mas como contador de histórias e apreciador de música e de futebol. Foi dele que ouvi a maior parte das anedotas que ainda hoje lembro e as histórias do passado que eu desconhecia. 

Basta fechar os olhos e volto a vê-lo nas escadas de sua casa, sentado, a ouvir o relato de futebol e a tocar a sua harmónica. Que saudades de ouvir aquele som alegre e harmonioso! 

A nossa história faz-se de momentos e pessoas que marcam a nossa vida, pelo que escrever sobre o Sr. Zé e a Sra. Maria é recordar parte do que aprendi e vivi na minha infância. 

A Sra. Maria ainda continua a fazer os seus trabalhos de costura. O Sr. Zé já nos deixou, mas continua sempre presente nas nossas recordações.

Um sapateiro e uma costureira comuns, para mim... ídolos! 

 

MST

 

 

Fonte da imagem: http://www.tesouradeouro.com.br/tag/calcados/