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Mosquito sem Travões

Mosquito sem Travões

Pessoas comuns, ídolos improváveis... o Sr. "Adriano" do Restaurante!

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Hoje vou falar-vos do Sr. "Adriano".

Na verdade não sei se se chama assim, mas o restaurante onde ele trabalha tem este nome, pelo que assumi que poderá ser o mesmo!

O Sr. "Adriano" merece um lugar nesta rúbrica, porque a sua maneira de agir é diferente de qualquer outro servente de restaurante que eu já vi e, de tão diferente, chega a ser muito engraçada e um exemplo para todos nós, que trabalhamos no atendimento ao público!

Chegámos ao restaurante e ainda havia algumas mesas vazias. Como habitual, começámos por perguntar se nos podíamos sentar, e o Sr. "Adriano" rapidamente nos encaminhou para uma mesa qualquer, com uma expressão, que a príncipio me pareceu antipática, mas depois percebi que era normal.

Já sentados, começámos a ver o que estava na lista, mas quando o Sr. "Adriano" chegou, quisemos perguntar algumas dúvidas relativamente aos pratos e... Eis que com ar verdadeiramente descontraído responde: "Está na lista. Está tudo na lista!". Perguntámos sobre o vinho, se tinha algum verde tinto, já que é o único que os meus pais gostam, mas ele continuava com o seu ar apático e pacífico a responder "Está na lista! Está tudo na lista!".

Apresentava-se com o traje típico de servente: camisa branca, calça preta e avental preto. Aparentava ter à volta de 50 e tal anos, 1.70 m, estatura média e tinha o cabelo preto curto. Trazia um bloquinho de apontamentos e uma caneta e, em posição confortável, com a cabeça ligeiramente inclinada sobre o ombro, estava à espera de registar os pedidos no seu caderninho, quando finalmente nós decidíssemos o que escolher. Comecei a observar os seus gestos e achei que aquela demasiada calma que o Sr. "Adriano" transmitia, escondia o stress que devia sentir por atender os clientes, sempre indecisos e sempre a fazer perguntas, às quais a resposta a poderiam facilmente encontrar... na lista! 

Achei realmente o Sr. "Adriano" uma pessoa engraçada, porque eu que trabalho no atendimento ao público, sou muito mais emotiva. Nunca conseguiria ter aquela calma e apatia! O Sr. "Adriano" é o verdadeiro exemplo de alguém que "não stressa" com os clientes. Está sempre tudo na lista, só tem que registar os pedidos e servir, sem dar grande confiança! E a verdade, é que assim corre sempre tudo bem!

Quando todas as mesas ficaram ocupadas, continuavam a chegar clientes a perguntar se podiam almoçar, mas o Sr. "Adriano", com o seu ar descontraído, limitava-se a dizer "Não temos mesa. Muito obrigado!". E as pessoas seguiam o seu caminho à procura de outro restaurante. Não havia confusões nem filas de espera! Eu achei engraçada a situação, porque sei que, em qualquer outro sítio, teriam dito às pessoas para esperar, nem que isso significasse 1 ou 2 horas de espera! Mas no restaurante do Sr. "Adriano" não! Assim, os clientes podiam almoçar descansados, sem sentir o stress de saber que haviam pessoas à espera de mesa, e, o Sr. "Adriano" continuava a desempenhar o seu trabalho normalmente, com toda a calma que o caracteriza.

A verdade é que a comida estava mesmo óptima! Deliciámo-nos verdadeiramente! Usufruímos de uma refeição verdadeiramente pacífica e saborosa, muito graças ao Sr. "Adriano", que continuava a "despachar" clientes atrás de clientes, por já não ter mesas livres.

Não tenho dúvidas que quero voltar lá mais vezes, porque realmente é um excelente restaurante! A comida é muito boa e muito em conta! Vale a pena conhecer!

E quem atende ao público, consegue perceber, tal como eu, que a calma do Sr. "Adriano"  é uma espécie de arma de defesa contra todas as situações desagradáveis que todos os dias temos que ultrapassar, por darmos alguma "confiança" aos clientes! É um exemplo!

E, por tudo isto, também eu fiquei fã do Sr. "Adriano".

 

MST

 

 

 

 

Pessoas comuns, ídolos improváveis... O Rei da Bola de Berlim!

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"O Rei da Bola está a chegar e vai-se embora!"

"São horas de acordar! Está na hora de lanchar!"

"Bola de Berlim com creme, sem creme e com chocolate!"

Quarta-feira. 11h30. Era o meu primeiro dia de praia das férias. Estava deitada na toalha a desfrutar do sol bem quente da  manhã, quando acordo de um breve sono, com o som de uma buzina e de uma voz vigorosa que apregoava estas expressões repetidamente. O som, ao início, longínquo, ía-se aproximando cada vez mais, até que, por entre chapéus de sol e banhistas, finalmente consegui descobrir a origem daquele ruído que me tinha despertado. Era ele, o "Rei da Bola de Berlim"! 

Apresentava-se de calções e T-shirt brancos, esta com a inscrição nas costas "O Rei da Bola", o mesmo logotipo que figurava nas duas arcas que carregava, segurando uma em cada mão. "O Rei da Bola está a chegar e vai-se embora!" - repetia vezes sem conta, enquanto percorria, descalço, em ritmo muito apressado, a enorme extensão da praia. Exibia os braços, as pernas e o rosto extremamente bronzeados, típico de quem trabalha longas horas sob o sol intenso. 

Aproximava-se a hora de almoço, pelo que, para mim, a Bola de Berlim teria que ficar para o lanche da tarde. 

15h /17h30. O Rei da Bola chegava e rapidamente desaparecia, novamente, entre os chapéus de sol. Eu tinha almoçado tarde, pelo que não tinha apetite para uma bola de Berlim àquela hora. Ficava a promessa para o dia seguinte. 

Fiquei o resto da semana pela mesma praia. Ficava mesmo ao lado do meu alojamento e era muito grande e bonita. E, para além de tudo, era lá que passava "O Rei da Bola"! Todos os dias regressava ele, cada vez com andar mais veloz, entoando a sua voz firme e expressiva. Fazia várias voltas por dia, transmitindo a todos nós, simples veranistas a aproveitar o sol para bronzear, a garra e a coragem de alguém que não faz da praia lazer, mas uma forma de viver.  

Mesmo nos dias em que as temperaturas atingiam os 40ºC, o Rei da Bola não desistia. Fiquei fã da sua valentia. Afinal de contas, eu nem conseguia suportar a areia a queimar nos pés, quando era obrigada a caminhar nas horas mais quentes. Não devia ser nada fácil!

Sempre que o ouvia ao longe, despertava, e, ficava a observar a sua logística. No ínicio, em tom de brincadeira, ainda pensei que ele deveria ter outros slogans para proclamar nos outros dias e, mostrar, desse modo, mais originalidade!

Mas logo percebi, que nenhuma outra expressão faria mais sentido do que aquela. "O Rei da Bola" realmente chegava e rapidamente ía embora, porque tinha muito caminho de areia quente a atravessar. 

Escolhi a bola de Berlim de chocolate. Huumm... Estava divinal! Fazia juz a toda a expectativa que eu tinha criado à volta daquelas tão apregoadas bolas de Berlim. Fiquei fã!

Fui a outras praias, contudo, em nenhuma encontrei um vendedor que me chamasse a mesma atenção. Também naquela, o concorrente vendedor de Bolacha Americana não marcava a diferença.  Mas "o Rei da Bola" sim! E, como tal, acabou por marcar também as minhas férias na praia. 

Sem dúvida, que a sua presença anima a praia e proporciona a possibilidade de saborear deliciosas bolas de Berlim sem ter que levantar da toalha. Em férias, em que tudo o que precisamos é relaxar e aproveitar, todos estes pormenores ajudam! Por breves momentos, somos mais felizes!

Sem o conhecer de verdade, fiquei sua fã. Não sei o seu nome. Só sei que é naquela praia que o podemos encontrar. 

 

 

MST

 

 

 

Foto: Autora  do Blog "Mosquito sem Travões"

 

 

 

 

 

Em pessoas comuns, os meus olhos vêem.... ídolos!

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Os últimos tempos têm sido difíceis. A angústia e a melancolia predominaram em grande parte dos meus dias, até àquele em que fugi de tudo o que me estava a fazer mal e... fui de férias!

Passei muito tempo sozinha, o que me permitiu ter tempo para fazer muita coisa que habitualmente se torna difícil! Consegui finalmente acabar de ler o livro que permanecia na minha mesinha de cabeceira há séculos e, sobretudo, tive tempo para pensar, refletir, imaginar, sonhar e até ter novas ideias!

Comecei por pensar em tudo o que me define, o que aprecio, o que gosto de fazer e o que realmente me faz feliz!

Foi num desses momentos de puro sonho, repousando na toalha de praia, que me lembrei de escrever sobre algo que me define particularmente... as mil e uma coisas e/ou pessoas que de alguma forma me marcaram no passado ou continuam a fazer parte do meu presente feliz, e que eu costumo idolatrar! 

Quantas vezes eu repito a célebre expressão "EU SOU FÃ"!? E, na verdade, podemos ser fãs de muita coisa ou de muita gente... basta ser observador e estar atento!

Todos os dias nos cruzamos com pessoas novas, ditas comuns, mas que nos podem chamar a atenção pelos mais variados motivos. A maneira de falar, de agir, a profissão, de entre muitas outras coisas... podem marcar a diferença entre a lembrança e o esquecimento.

Foi daí que surgiu a ideia de começar a escrever uma rúbrica, à qual vou chamar "PESSOAS comuns, ÍDOLOS improváveis!", onde vou falar de pessoas com as quais vou contactando ou, simplesmente, observando e, que, eu fico fã, por algum motivo!

A maioria delas nunca soube, nem saberá, que alguém algum dia era sua fã! Esta será a minha maneira de marcar a sua existência e não deixar que as mesmas se esvaneçam na memória de curto prazo.

Porque, pessoas e coisas comuns, aos meus olhos podem ser ídolos! 

 

MST